Volume 02   Número 02

ENTREVISTAS

ARTIGOS

Elias Nazareno

Resumo: Este artigo pretende apresentar um breve périplo em torno do debate acerca da modernidade, sua gênese, seu desenvolvimento e, sobretudo, seus apagamentos e suas invisibilizações. Parte-se do debate em torno da reatualização contemporânea da modernidade como processo, dialogando com a perspectiva clássica de Weber e atual de Habermas, enunciando aqueles fatores que a caracterizam desde a perspectiva ocidental. A seguir, a partir da crítica proposta por pensadores integrantes do grupo modernidade / colonialidade / decolonialidade, faz-se uma crítica acerca dos encobrimentos relacionados aos elementos constitutivos da modernidade, tais como a colonialidade do poder e os saberes outros, que são olvidados por parte da teorizações ocidentais sobre o tema da modernidade.

Ana M. T. Cavalcanti

Resumo: A partir da leitura das conferências “A emoção estética na arte moderna” e “O espírito moderno” proferidas por Graça Aranha em 1922 e 1924 respectivamente, propomos uma reflexão sobre a permanência e o esquecimento de ideias sobre a arte, de acordo com as interpretações sucessivas feitas ao longo do tempo. Assim como certas ideias são esquecidas e outras lembradas, também as obras de arte são desprezadas, valorizadas ou recuperadas, conforme despertam o interesse de estudiosos e espectadores. Nesse artigo, procuramos evidenciar o caráter heterogêneo do pensamento estético expresso por Graça Aranha em sua defesa da arte moderna.

Arthur Valle

Resumo: Rio de Janeiro, 1904. Exatamente no momento em que se intensificavam as reformas urbanas que visavam a modernizar o centro da então Capital Federal, o jornalista João do Rio iniciou a publicação, na Gazeta de Noticias, de uma série de reportagens que dariam origem ao seu famoso livro As religiões no Rio. Nessa série, um destaque especial foi dado às religiões afrobrasileiras, que despertaram um imenso interesse no público leitor e levaram à publicação de diversas outras reportagens e ilustrações. O presente artigo apresenta um panorama do que foi publicado na Gazeta de Noticias sobre religiões afrobrasileiras, focando um aspecto especifico das mesmas: a sua cultura material. Com isso, procuramos entender melhor o estado da cultura material religiosa afrobrasileira no começo do séc. XX, bem como contribuir para os esforços no sentido de sua historicização.

Rodrigo de Freitas Costa

Resumo: Este artigo foi produzido a partir do projeto de pesquisa Circularidades Culturais entre Brasil e Itália: estudos sobre cultura no século XX, financiado pelo MCTI/CNPq/MEC/Capes n. 22/2014 – Ciências Humanas, sociais e sociais aplicadas, desenvolvido entre os anos de 2014 e 2016. Pela amplitude do projeto, nas páginas seguintes tratamos sobre diversos temas tendo como pressuposto de análise a recepção do dramaturgo Luigi Pirandello no Brasil dos anos de 1920. Além desse momento ser reconhecido pelos pesquisadores como o período onde a questão da modernidade tornou-se o centro dos principais debates temáticos e formais, outras questões se fizeram preponderantes para a recepção de Pirandello. Entre elas, destacamos o tema da imigração e os elos de formação artística e cultural existentes entre o terreno cultural italiano e o espaço social brasileiro. Tratamos também sobre a questão do enraizamento, tal como discutido por Simone Weil, e a importância dos laços culturais entre povos distintos no processo de circularidade cultural. Dessa forma, objetivamos levantar pontos sobre a releitura de Pirandello no Brasil valorizando a importância de sua obra e as condições de sua releitura entre nós em torno dos anos 1920.

Thaís Leão Vieira

Resumo: O discurso em torno do nacionalismo e da nação torna-se mais evidente ainda a partir da década de 1930 com os projetos de “unificação” do Estado brasileiro, como os de “povoamento” e modernização do interior do país, a exemplo da “Marcha para o Oeste”. A política expansionista provocou rapidamente um crescimento acelerado, o que originou uma explosão demográfica, rapidez nos transportes, gerando uma ideia de progresso e com ele o processo de modernização concebido a partir de uma visão administrativa em que a cultura serviu em diversos momentos para reforçar interesses públicos. No plano da cultura, embora as expressões musicais e teatrais tivessem bastante expressão em Cuiabá, especialmente a partir da década de 1920, estas não foram associadas ao modernismo. Tal visão está ligada ao lugar que a Semana de Arte Moderna de 1922 logrou na memória histórica. O teatro permite caracterizar a maneira como Mato Grosso inseriu-se neste processo de modernização e integração nacional. O texto propõe, assim, uma análise do discurso de modernização em Mato Grosso na primeira metade do século XX e as contradições envolvendo estes discursos no campo da cultura, estabelecendo um diálogo entre arte e política, história e cultura.

Rogério Santana

Resumo: O Modernismo literário brasileiro em geral é descrito apenas com sua vertente paulistana, cujo marco é a Semana de Arte Moderna, de 1922. Entretanto, há outras manifestações de Modernismo no Brasil, em particular o movimento do Recife, em 1926. Além da breve exposição sobre essa manifestação, liderada pelo antropólogo Gilberto Freyre, neste artigo demonstra-se que no marco inicial do Modernismo em Goiás, a revista Oeste (1942-1944), está contida outra forma de compreender as manifestações da vanguarda naquele momento. Foram incluídas no universo do moderno, além da estética vanguardista, também formulações que se apoiam na tradição da literatura rural em Goiás. Assim, o Modernismo em terras goianas ganha feições que o distinguem de um movimento que teve a importação cultural europeia como um dos seus pilares, uma vez que reuniu formas literárias que, além de estarem em sintonia com a vanguarda europeia, representam o arcaico e o moderno como manifestações da modernidade brasileira.

Edna de Jesus Goya

Resumo: Falar da importância de Frei Giuseppe Nazareno Confaloni - para a cultura e para as artes de Goiás, bem como para o modernismo e de seu papel para a atualização das artes plásticas, no estado, nos remete ainda que de passagem, a trazer a Educação, como uma das ações que se desenvolveram como forma de imersão do estado no circuito da modernidade, ou seja, de inserir Goiás na economia e na política nacional. A criação da nova capital goiana atrai pessoas de vários lugares do Brasil. E claro que para isto temos que situar Frei Confaloni na Escola Goiana de Belas Artes (EGBA), primeira escola superior de arte de Goiás, idealizada por Luiz Augusto do Carmo Curado, concretizada com a participação, ativa, de dois artistas que se transformariam, juntos a ele, nos pioneiros da arte moderna goiana. Luiz Curado, idealizador do pensamento moderno nas artes plásticas, o escultor Gustav Riter e Frei Confaloni, um dos mais significativos artistas de Goiás formam juntos o grupo de pioneiros. Ele foi pintor, professor de pintura e de gravura, diretor da EGBA, em 1966, animador de artes e incentivador da carreira de vários artistas goianos.

Joel Antônio Ferreira

Resumo: Frei Confaloni, um italiano-goiano, anunciou o Evangelho pela linguagem oral e denunciou as injustiças através da pintura. Chegando ao Brasil, criou os seus primeiros quadros dentro do estilo clássico italiano. Ao se defrontar com um país, principalmente, após o regime de exceção, com muitas assimetrias sociais, ideológicas e políticas, ele assumiu uma identificação com os deserdados da terra: os camponeses e os pobres da periferia. Procurou atualizar, sempre, as personagens bíblicas encarnadas na realidade do Brasil da segunda metade do século XX. A todos/as tinha uma mensagem de esperança muito viva. Ele pintou o humano à luz de Jesus da Galileia. Na indignação contra as injustiças, no grito a favor dos oprimidos, ele fez uma teologia comprometida com os fracos, através da arte da pintura.

Jacqueline Siqueira Vigário

Resumo: Este artigo pretende refletir as ressonâncias do pensamento sócio-histórico de Caio Prado Júnior na produção pictórica do artista italiano Nazareno Confaloni em Goiás. Parte da hipótese que há uma interlocução entre as temáticas sacras e profanas pintadas pelo artista e as discussões e ideários de Caio Prado Júnior que tocam nos problemas da realidade brasileira em sua trajetória histórica, em especial o período que compreende o processo de modernização do país, momento o qual a arte reencontra sua função social. Um exercício de análise da obra de Caio Prado Júnior, "Evolução Política do Brasil" em confronto com a produção pictórica de Nazareno Confaloni que compreende o período de 1950 até 1960 pode contribuir para compreensão do caráter de denúncia social construído no pensamento das obras desses dois autores.

Karinne Machado Silva e Geisa Daise Gumiero Cleps

Resumo: Pensar a modernidade presente em uma cidade significa refletir sobre o universo simbólico como uma importante esfera da dinâmica social, posto que a modernidade seja uma construção, um processo e, sobretudo, uma experiência do sujeito. Desse modo, a fotografia urbana é um artefato histórico que está intimamente ligado à produção de significado/ressignificado dos indivíduos sobre o espaço circundante. Nesse sentido, o presente artigo procura discutir as fotografias da Praça Cívica, de autoria do profissional Alois Feichtenberger, enquanto uma visualidade que guardou elementos modernos e, contraditoriamente, arcaicos. Esse fotógrafo pioneiro conseguiu, de modo singular, sintetizar elementos díspares, mas que na construção do espaço urbano de Goiânia estiveram bem marcados.

Mariana de Souza Bernardes

Resumo: O presente artigo aborda as relações entre diferentes movimentos de arte moderna no século XX. Em comum, o postulado da eficiência científica e do racionalismo que passam a fazer parte das manifestações culturais e desencadeiam uma valorização da linguagem geométrica na arte. A geometria dá forma à identidade industrial, pois o quadrado, o triângulo e o circulo possuem a propriedade universal. Como expressão plástica eficiente que perpassa da galeria aos ateliês, das oficinas escolares aos produtos industriais e exalta o caráter objetivo e utilitário dos artefatos modernos e seu formato de cubo. Apresenta também personagens históricas de cada vanguarda, cujas crenças e engajamentos sociais propagavam o pensamento do designer ou artista como agente responsável pela reconfiguração da sociedade.

José Fábio da Silva

Resumo: Este trabalho aborda a importância do futuro na organização da experiência do tempo por meio das concepções de Reinhart Koselleck (o futuro como horizonte de expectativa) e Martin Heidegger (o futuro como existencialidade). Para nos auxiliar nessa tarefa, faremos uso de um conjunto de ilustrações produzidas no decorrer do século XIX e que imaginavam como seria o ano 2000. Por meio dessas ilustrações, abordaremos características marcantes na organização temporal do sujeito histórico na modernidade.

RESENHA:

CONTO:

Edgar Indalecio Smaniotto

por PX Silveira